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Gateway em Nuvem

O Gateway de Comunicação pode ser implantado de duas formas. Além do Gateway físico instalado na rede do cliente (descrito na Visão Geral), o serviço de gateway também pode rodar na nuvem, alcançando os equipamentos da unidade por um túnel VPN criptografado.

Os dois modelos estão ativos e a escolha é do cliente, conforme as características de cada projeto.

Por que existe esse modelo

O Accelero é um sistema SaaS e comunica-se com os equipamentos por MQTT, sempre com a conexão partindo do equipamento para a nuvem. Esse desenho evita expor a rede do cliente: não é preciso IP público, nem redirecionamento de porta, nem qualquer serviço publicado na internet.

Leitores faciais, porém, não falam MQTT. Eles expõem uma API HTTP na rede local. É por isso que existe o Gateway: ele fica onde os equipamentos estão e traduz MQTT para HTTP.

Entregar esse componente como um computador dedicado na unidade traz custos e riscos que não são do software: custo de aquisição do equipamento, consumo de energia, espaço no rack, e todas as falhas típicas de hardware em campo, como corrupção de cartão de memória, defeito de fonte e desligamento acidental. Boa parte desses incidentes exige visita técnica.

No modelo em nuvem, esse computador deixa de existir na unidade. O papel de conectividade passa a ser exercido por um equipamento de rede que na maioria dos projetos já está instalado: o MikroTik.

Como funciona

O MikroTik estabelece um túnel WireGuard entre a rede da unidade e a infraestrutura em nuvem. Por dentro desse túnel privado, o serviço de gateway alcança apenas os equipamentos autorizados daquela unidade, enviando cadastros, fotos, templates faciais, cartões e comandos de sincronização.

Três características definem o modelo:

  • Quem inicia o túnel é o MikroTik, de dentro para fora. O cliente não precisa de IP público fixo nem de liberação de porta de entrada. Funciona em praticamente qualquer tipo de link, inclusive atrás de NAT da operadora.
  • Os leitores permanecem em IP privado. Nenhum equipamento fica acessível pela internet. O acesso ocorre exclusivamente pelo túnel, com regras de firewall que restringem a comunicação aos endereços e serviços necessários.
  • A lógica de integração continua no serviço de gateway. O MikroTik não processa cadastro nem regra de acesso: ele é o ponto de conectividade segura e roteamento. Para o Accelero, o gateway se comporta exatamente como antes, aparecendo normalmente na tela de gateways com status, versão e keepalive.

O gateway não deixou de existir, mudou de lugar

Vale insistir neste ponto, porque é a confusão mais comum sobre o modelo.

O Gateway sempre exerceu três papéis: transporte (comunicação segura com a nuvem), integração (traduzir MQTT para HTTP, controlar fila, retentativa e tratamento de erro) e execução (falar com o leitor por API REST).

O MikroTik assume apenas o transporte. Ele é um equipamento de rede: não tem fila de mensagens, não trata leitor indisponível, não faz retentativa nem guarda histórico de integração. A integração e a execução continuam a cargo do serviço de gateway, que agora roda na nuvem com o mesmo comportamento de antes.

Por isso o modelo não é "a nuvem chamando o leitor direto pelo túnel". É o mesmo gateway de sempre, no mesmo desenho lógico, apenas hospedado na infraestrutura da Iongrade em vez do rack do cliente.

Por que WireGuard

O WireGuard é o protocolo de VPN recomendado para esse cenário, e o próprio fabricante do MikroTik o descreve como mais simples, mais rápido e mais performático que o OpenVPN. Na prática isso significa configuração menor e menos sujeita a erro (sem certificados nem PKI para manter), reconexão praticamente instantânea em links que oscilam, e menor consumo de CPU no roteador, o que importa nos modelos de entrada.

O que muda para o cliente

Gateway físicoGateway em nuvem
Equipamento dedicado na unidadeSim (Orange Pi ou mini PC)Não
Equipamento de rede necessárioNenhum específicoMikroTik com suporte a WireGuard
Custo de equipamentoOrange Pi ou mini PC por unidadeMikroTik, normalmente já instalado e mais barato
Consumo de energia adicionalSimNão
Falha de hardware do gatewayPossívelNão se aplica
Manutenção e atualizaçãoRemota quando possível, presencial quando nãoRemota, feita pela Iongrade
Exposição da rede do clienteNenhumaNenhuma
Dependência de internetSimSim

Requisitos da unidade

Para operar no modelo em nuvem, a unidade precisa de:

  • MikroTik com versão de RouterOS que suporte WireGuard, com capacidade compatível com o volume de tráfego do projeto.
  • Link de internet estável, com banda de subida e descida compatível com o parque de equipamentos. O envio de fotos para os leitores passa a atravessar a internet.
  • Leitores faciais em IP fixo na rede local, documentados no projeto.
  • Rota entre a rede dos leitores e o MikroTik. Se os leitores usam o MikroTik como gateway padrão, o requisito já está atendido.
Leitores em Modo Direct exigem atenção extra

No modo Validação online (Modo Direct), é o próprio leitor que consulta o servidor a cada leitura para saber se libera a passagem. Nesse caso a comunicação também acontece no sentido leitor para nuvem, e cada equipamento precisa ser configurado apontando para o endereço do gateway dentro da VPN.

Se esse ajuste não for feito, o sintoma é característico: os cadastros sincronizam normalmente e apenas a liberação de acesso falha, o que costuma ser diagnosticado por engano como defeito no leitor.

Consulte a matriz de equipamentos homologados para confirmar o modo de operação de cada equipamento.

Segurança

  • Todo o tráfego é criptografado entre a nuvem e a rede da unidade, incluindo fotos e templates biométricos, que são dados pessoais sensíveis. Veja LGPD e Segurança.
  • Nenhuma porta é aberta na unidade. Não há redirecionamento de porta nem equipamento publicado na internet. Essa é uma melhoria relevante frente à prática, ainda comum no mercado, de expor a porta do leitor facial para alcançá-lo remotamente.
  • Alcance restrito. As regras do túnel permitem comunicação apenas com os equipamentos autorizados da unidade, e não com a rede local inteira.
  • Isolamento entre clientes. Cada unidade possui identificação, chaves de criptografia, endereçamento de VPN e regras de roteamento e firewall próprios. Uma unidade não alcança a rede nem os equipamentos de outra.

Comportamento em queda de internet

O comportamento é o mesmo dos dois modelos, porque em ambos a nuvem é quem toma as decisões:

  • Gerenciamento de cadastro: os leitores continuam liberando o acesso normalmente, usando a base já sincronizada. Cadastros e alterações feitos durante a queda ficam pendentes e são aplicados assim que a comunicação volta.
  • Validação online (Modo Direct): a liberação depende da consulta ao servidor, então fica indisponível enquanto a internet estiver fora, exatamente como já ocorria com o Gateway físico.

Durante a queda, todos os leitores da unidade aparecem offline ao mesmo tempo no Accelero. Isso ajuda no diagnóstico: um leitor isolado offline indica problema no equipamento, a unidade inteira offline indica problema de link ou de túnel.

Quando preferir cada modelo

Gateway em nuvem é indicado quando:

  • a unidade já tem MikroTik e link estável;
  • há histórico de falhas ou de dificuldade de manutenção do equipamento local;
  • o cliente quer reduzir equipamento ativo no rack e custo de energia;
  • o parque é distribuído em várias unidades, e padronizar a manutenção remota traz ganho operacional.

Gateway físico é indicado quando:

  • o Accelero é on-premises e o servidor está na própria rede do cliente;
  • a unidade não tem MikroTik nem previsão de instalar um;
  • o link é instável ou de banda insuficiente para o volume de sincronização;
  • há exigência contratual de que o tráfego de controle de acesso não atravesse a internet.
Migração

A migração de uma unidade do Gateway físico para o gateway em nuvem é feita pela equipe Iongrade, com o túnel validado antes da troca. O Gateway físico só é desligado depois que a comunicação em nuvem estiver confirmada. Em unidades com equipamentos em Modo Direct, cada leitor precisa ser reconfigurado durante a migração.

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